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O momento é de reflexão para os investidores

Os especialistas no mercado imobiliário no Brasil não são unânimes em suas análises. Por um lado, há aqueles que dizem que não há bolha e que a tendência é de crescimento, embora a um ritmo menos acelerados do que durante os últimos cinco anos, enquanto outros são inflexíveis em suas reivindicações , dizendo que a tendência é para baixo e que a recuperação será em dois ou três anos e, certamente, num ritmo mais discreto. Do nosso ponto de vista , tanto os pessimistas quanto os otimistas estão em parte corretos. Enquanto no mercado corporativo, os preços e as taxas de ocupação estão em queda, por conta do excesso de oferta, que teve nos últimos anos, do outro lado do mercado imobiliário, especialmente no residencial popular, a demanda continua a crescer, graças as taxas de juros subsidiadas pelo governo, que espera através disso a manutenção do poder.
A título de informação, o mercado dos centros logísticos que havia crescido muito de 2008 a 2012, hoje perdeu a sua energia e tem uma taxa de ociosidade de cerca de 19 % na região mais rica do país , que são os 100 km que separam Campinas de São Paulo, exceção feita para aqueles que estão perto do Rodoanel que circunda a cidade de São Paulo, com apenas 10% de taxa de ociosidade.
No setor residencial, com uma falta de moradia estimada em quase 18 milhões, a demanda não pára de crescer, e se compararmos o mês de agosto deste ano, em relação ao mesmo período do ano passado houve um aumento de mais de 86% do volume de vendas. Além disso, se é feita uma análise entre o que foi lançado e o que foi vendido ao longo dos últimos seis anos, vamos perceber que a demanda ainda supera a oferta , então por enquanto o saldo é positivo .
Em relação a política do governo de reduzir as taxas de juros para facilitar a compra de casas pelas classes média e baixa, a solução encontrada foi o aumento do limite para a utilização do FGTS, passando de R$ 500 mil para R$ 650 mil ou R$ 750 mil dependendo das regiões.
Para os estrangeiros que desejam investir no Brasil, o tempo é para reflexão, já que por um lado, existem oportunidades nas regiões norte e nordeste do país, onde o valor dos imóveis ainda não subiu tanto, mas por outro lado o mercado corporativo parece saturado. Tudo isso sem contar o risco do câmbio, já que o Real perdeu 7 % e 11 % do seu valor, desde o início do ano, em relação ao dólar e ao euro, com um pico de perda que chegou a 20 % em relação as duas moedas durante os momentos mais críticos.
Fonte: Artigos de “O Estado de São Paulo “